Renúncia

Quem sabe não conhecesse o ódio

Não faria questão do amor

Quem sabe não conhecesse a dor

Não faria questão da leveza

Quem sabe não conhecesse a dúvida

Não faria questão da certeza

Quem sabe nunca tivesse sonhado

Nada teria a realizar

Quem sabe nunca tivesse tentado

Não seria preciso insistir

Quem sabe não tivesse dado o primeiro passo

Não seria preciso voltar

Quem sabe nunca fosse criado

Seria possível dormir

[Ou talvez não existir]

Quem sabe não conhecesse a rima

Não haveria poesia

Quem sabe não conhecesse a prosa

Não diria

Quem sabe não houvesse palavras

Todos levantariam suas armas

E todo excesso e toda escassez

Seriam dizimados

Quem sabe não conhecesse o paradoxo

Ou a incógnita

Não seria preciso equilíbrio

Ou resolução

Quem sabe fosse o imprescindível desnecessário

Quem sabe não houvesse jamais

Um vislumbre de luz

[Ou de treva]

Quem sabe agora mesmo caísse

Sobre nós [feito um anjo do céu]

O esquecimento

[Perdão]

… E nunca mais nos atrevêssemos

Quem sabe?

Quem sabe?

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Tive a oportunidade de transferir meus brinquedos poéticos para a língua inglesa se por curiosidade queira ver, aí está o link para checar como esta ficou:

Who knows




 

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